Não, você não leu errado! Em uma época em que todos dizem para você ser leve, e usar do discurso positivo para alcançar mais pessoas, estou eu aqui, te dizendo que não é assim. Vamos com calma, não estou falando sobre ódio, raiva ou repulsa em suas mais diversas formas. O discurso negativo (médio), está ligado ao ser humano desde sempre. Afinal, você conhece algum outro animal terrestre que consiga rir da própria “desgraça”, defeitos ou infortúnios? O que estou propondo neste artigo é uma desconstrução rápida sobre o que temos feito, seja profissionalmente ou na sua vida pessoal. Percebeu que tudo é extremamente artificial na mídia atualmente? Isso não é ruim, mas chega a ser “não humano” a ponto de incomodar. Beirando a hipocrisia. Mesmo assim todos percebem esses fatores como bons, porque foram apontados para serem observados assim.

Este é um estudo que tenho feito durante 2 anos, pois além de designer, desenvolvedor e empresário, sou antropólogo por paixão. Nomeei o fato de ser real, fiel e não adornado, como “discurso negativo (médio)”; médio porque existem outros níveis. Logo o “discurso positivo”, é o contrário. E escolhi o termo fazendo analogia aos filmes de fotografia, o negativo (sem tratamento ou manipulação); cru e real.

A artificialidade do discurso positivo na mídia (inconcluído redes sociais) gera um fenômeno interessante: a réplica do contrário. A pele tem que ser vistosa, o corpo tem que ser esbelto, as piadas tem que ser morais, o design tem que ser padronizado com a tendência do momento, os textos tem que ser irreais e positivos para serem bem aceitos. Ou seja, tudo não pode ter uma variância, relatividade, complexidade e acima de tudo, tem que parecer perfeito, logo não pode ser humano. Em contrapartida, temos um movimento contra essa “fôrma”. Vemos pessoas felizes como são, e aceitando que algo humano (quando digo humano, me refiro ao que você de fato pensa ou é, mesmo que não fale ou mostre), não é censurável. Este assunto é difícil de ser explicado em um só artigo, pois o discurso negativo (médio), não pode ser confundido com preconceito, discriminação ou bullying. E ele está, assim como a arte, correlacionado com as profissões da área de comunicação.

Nós abandonamos a “humanidade” para acreditar em algo que não vivemos de verdade. Essa é a premissa de que discurso negativo pode agir como um fator de sucesso: falar o que pensa, criticar algo que realmente não gosta, mostrar a realidade como é de fato, tem gerado tanto sucesso quanto as “photoshopadas” em um passado próximo, já gerou um dia. Vemos o discurso negativo (médio), chegando de mansinho, tanto na arte, design, propagandas, fotografias, e em vídeos. Principalmente por meio de vídeos, com falas eloquentes: você não notou como as “Youtubers” tem se mostrado cada vez mas sem maquiagem, e falando que é normal ter defeito? Ou melhor, nem dizendo isto, apenas mostrando. Estão um pouco mais sem filtro, “desbocadas”, pois essa a forma como falam no dia a dia. Já percebeu que a irreverência do que é mostrado como negativo chama a atenção, e seduz, mesmo que involuntariamente quem já está cansando “de mais do mesmo”. Pois é, seja a sua aplicação como for, em tudo existe uma balança.

Como já afirmei, a proposta do artigo é uma desconstrução, e quero fazer isso com uma colaboração de vocês. Deixe seu comentário com o seu parecer, este é um convite meu!


Este artigo foi publicado originalmente no Design Culture por Caio Régis em 15 de julho de 2016.1


  1. Design Culture, "O discurso negativo pode gerar sucesso", 15 de julho de 2016.