Ubuntu 23.10, codinome Mantic Minotaur, chega como release intermediário em um ciclo importante para desktop, servidor e imagens de desenvolvimento. A Canonical posiciona a versão como uma atualização de segurança, experiência de instalação, descoberta de aplicativos e suporte a hardware, mantendo o ritmo semestral que prepara terreno para a próxima LTS.1
Por ser uma versão regular, a janela de manutenção é menor que a de uma LTS. Ainda assim, Mantic importa para quem acompanha o Ubuntu de perto: ele antecipa decisões de empacotamento, instalador, rede e ferramenta de desenvolvimento que administradores e equipes de plataforma precisam testar antes de padronizar ambientes maiores.
Desktop recebe GNOME 45 e novo App Center
No desktop, a atualização mais visível é a base GNOME 45, acompanhada por um novo App Center construído em Flutter. A proposta é oferecer uma experiência mais rápida para instalar e gerenciar pacotes snap e deb, ao mesmo tempo em que a Canonical reforça a integração com metadados do ecossistema snap.1
Esse ponto conversa diretamente com usuários corporativos. Central de aplicativos não é apenas vitrine: é uma camada de governança informal sobre o que usuários encontram, instalam e atualizam. Quanto mais clara for a origem dos pacotes, menor a chance de dependências soltas e instalações fora de política.
O instalador também continua evoluindo. O fluxo padrão privilegia um conjunto mais enxuto de pacotes iniciais, enquanto a instalação guiada com ZFS retorna como opção. Para estações de desenvolvimento, laboratórios e máquinas pessoais, isso dá mais flexibilidade sem empurrar todo usuário para uma instalação carregada.
A criptografia de disco completa apoiada por TPM aparece como suporte experimental no Ubuntu Desktop. A chave armazenada no Trusted Platform Module e liberada por software de boot autenticado aponta para um desktop Linux mais alinhado com exigências modernas de proteção física do dispositivo. Como é experimental, a adoção pede testes cuidadosos em hardware real.
Servidor e administração ganham consistência
No lado administrativo, o uso do Netplan como backend padrão para armazenar configurações do NetworkManager aproxima a experiência de rede entre desktop e servidor. Para frotas mistas, essa unificação reduz diferença operacional entre máquinas que antes pareciam seguir modelos separados.
Mantic também traz melhorias para gerenciamento com Landscape e políticas de autoinscrição de certificados em Active Directory via ADsys. Esses recursos não chamam tanta atenção quanto o desktop, mas interessam a ambientes em que Linux precisa conviver com diretórios corporativos, políticas centralizadas e suporte remoto.
O release atualiza toolchains e runtimes para Python, Java, Go, C, C++, Rust e .NET, além de incluir versões recentes de docker.io, docker-buildx e docker-compose-v2. Para desenvolvedores, isso reduz o atraso entre o sistema base e ferramentas exigidas por pipelines atuais.
Uma versão para validar decisões
Ubuntu 23.10 também inclui suporte ao Raspberry Pi 5, reforçando o papel da distribuição em borda, educação, prototipagem e pequenos servidores. A variedade de sabores oficiais segue o mesmo calendário, com opções como Kubuntu, Xubuntu, Lubuntu, Ubuntu Budgie, Ubuntu Cinnamon, Ubuntu MATE, Ubuntu Studio e Ubuntu Unity.
O melhor uso de Mantic em empresas é como ambiente de validação. A versão oferece sinais claros sobre a direção da plataforma, mas não substitui a prudência de uma LTS em workloads conservadores. Para times que mantêm imagens, estações de engenharia e pipelines locais, vale testar drivers, VPNs, políticas de rede, containers e integração com diretórios antes de levar o conjunto para uso amplo.
- Canonical, "Canonical releases Ubuntu 23.10 Mantic Minotaur", 12 out. 2023. ↩