Os medos em relação a realização profissional: quem nunca sentiu isso, não sabe como é se sentir um inútil no mercado de trabalho. Se você faz parte da ala dos “distribuo currículos, mas ninguém me chama”, vou te mostrar os amores e as dores de ser assim.

Por questão de esclarecimento, farei esse artigo citando algumas situações que eu vivi, por que nada mais correto do que falar sobre o que você já sentiu ou presenciou; e esse pode ser o seu ponto fraco, caro leitor. Falar com propriedade sobre as coisas que você faz, na verdade é a chave da porta de entrada para qualquer oportunidade.

Eu tenho 10 anos de experiência na área de design, e pouco mais de 2 anos em desenvolvimento sendo home office, trabalhei em agência (contratado), apenas 1 vez por questões de curiosidade; e para nunca mais. Ao menos este é o meu caso. Confesso que antes de fazer parte de uma agência, eu tinha uma visão lúdica sobre o ambiente: sofisticação, estabilidade, status, dinheiro, referência…. Enfim, as mesmas coisas que você almeja relacionando o seu trabalho dentro de uma agência ou escritório de design.

Não preciso dizer que existem as exceções, pois em tudo contem alguma relatividade. Agora vamos ao assunto, e começando pela questão primordial:

Por que você quer trabalhar em agência?

Se você fizer essa auto-análise e chegar à conclusão de que nem sabe o porquê, você está no artigo feito para você. A mania de considerar o trabalho fora de casa melhor do que o home office, a autonomia, é um estigma que insiste em nos assolar nas horas mais inoportunas. Mas, eis a verdade: você não precisa ser contratado por uma agência para se sentir bem-sucedido. Você, com toda a certeza do mundo, não precisa ser uma engrenagem, recebendo o reconhecimento de uma peça que nem mesmo faz parte do “relógio”.

Das dores de ser um divergente no mercado de trabalho, a mais crua e racional é perceber que as agências, assim como todas as outras empresas dos mais diversos ramos (e até mesmo algumas pessoas, pasmem…), usam do seu bom trabalho, crescem por conta disso, e você não passará de um degrau na história. Ganhando menos de ¼ do que poderia caso fosse alguém que investe em si mesmo. O meu pensamento é extremamente empreendedor, afinal sou amante empreendedorismo. Por vezes sou uma constante um tanto confusa: apoio o empreendedorismo, mas abomino o capitalismo como estilo de vida, ou meio de crescimento unilateral.

Por fim, percebi que a minha pergunta sem resposta, era na verdade uma retórica: Por que você quer trabalhar em agência!? Depois que entrei em uma, percebi que a única coisa que mudou era que eu trabalhava mais e recebia menos, inclusive reconhecimento. Percebendo isso voltei ao primórdio, com a consciência de que sempre estive onde eu deveria estar, mas com uma postura diferente. Não aceitando ser subestimado, ou induzido a pensar que por eu ser home office, o meu trabalho valeria menos. Você nunca pensou que o motivo para não conseguir entrar em uma agência, é na verdade porque você não precisa?

Talvez a minha forma de pensar seja “os amores” de ser como somos, pois, nascemos para ser mais do que um degrau, e por conta disso o meio nos expurga. Ou talvez seja o nosso destino nos puxando novamente para o lugar, para finalmente, mostrar que podemos mais.


Este artigo foi publicado originalmente no Design Culture por Caio Régis em 23 de julho de 2016.1


  1. Design Culture, "Você não precisa trabalhar em agência para ser bem-sucedido", 23 de julho de 2016.